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Marketing Jurídico

Advogado pode ter blog? O que a OAB permite publicar

· 7 min de leitura· escrito e revisado pelo motor editorial da Escaly
Advogado faz anotações ao lado do notebook em escritório de advocacia com estante de livros jurídicos

Pode — e a própria OAB regulamentou como. O Provimento 205/2021 do Conselho Federal autoriza o chamado marketing de conteúdos jurídicos: artigos, vídeos e publicações de caráter informativo ou educativo. O que a norma proíbe não é o blog; é usar o blog para capturar cliente com promessa, comparação e sensacionalismo.

O que o Provimento 205/2021 permite, em leitura rápida

A norma autoriza advogados e sociedades a produzir conteúdo que informe e eduque: explicar direitos, comentar mudanças na lei, esclarecer procedimentos, responder dúvidas comuns do público. Esse é o território natural de um blog jurídico.

Permite até impulsionar essas publicações com anúncio pago, desde que o conteúdo continue informativo e a divulgação seja sóbria — sem apelo direto de contratação, sem urgência fabricada.

Uma exigência prática que muita gente esquece: a publicidade precisa identificar o responsável. Nome do advogado ou da sociedade e número de inscrição na OAB devem aparecer no site.

O que o blog do escritório pode publicar sem receio

  • Explicação de direitos e deveres: "Demitido sem justa causa: quais verbas a empresa deve pagar".
  • Prazos e procedimentos: "Quanto tempo demora um inventário extrajudicial".
  • Mudança legislativa comentada, com foco no que muda na vida do leitor.
  • Preparação prática: "O que levar na primeira reunião sobre divórcio".
  • As dúvidas que seus clientes repetem no atendimento, uma por artigo.

Repare no padrão: todos respondem uma pergunta que alguém digitaria no Google. Conteúdo assim posiciona o escritório como referência — e é exatamente o formato que o provimento quis preservar quando liberou o marketing de conteúdo.

Os quatro limites que derrubam advogados

1. Promessa de resultado. "Garantimos sua indenização" e variações. Nenhum advogado controla o desfecho de um processo, e prometer desfecho é a infração mais fácil de caracterizar.

2. Divulgação de causas ganhas com valores. "Conseguimos R$ 80 mil para nosso cliente" mistura mercantilização com quebra de discrição profissional. O resultado de um caso não é peça publicitária.

3. Captação direta. Encerrar o artigo com "clique aqui e processe a empresa hoje mesmo" transforma conteúdo informativo em captação de clientela, que o Código de Ética veda. O convite aceitável é discreto: canal de contato disponível, sem empurrão.

4. Comparação e superlativo. "O melhor escritório trabalhista de São Paulo" não tem como ser comprovado e coloca a publicidade no terreno da concorrência desleal entre colegas.

O mesmo assunto dos dois lados da linha

Título de captação (evite)Título informativo (pode)
"Sofreu acidente? Receba até R$ 50 mil — fale conosco""Acidente de trajeto: quando gera estabilidade no emprego"
"Ganhamos 9 em cada 10 causas contra bancos""Cobrança indevida: o passo a passo para contestar"
"Não perca seu direito! Últimos dias para entrar com ação""Prescrição trabalhista: quais prazos valem para quem saiu da empresa"

A diferença não é cosmética. No primeiro grupo, o texto existe para fisgar; no segundo, para responder. Quem avalia uma representação ética olha para essa intenção — e o leitor também percebe, antes de qualquer tribunal.

Casos de clientes: como usar a experiência sem quebrar sigilo

A vivência do escritório é sua melhor matéria-prima e seu maior risco. O caminho seguro é transformar caso real em cenário: troque nome, profissão, cidade e valores; combine elementos de processos diferentes; apresente como hipótese — "imagine uma vendedora que recebia parte do salário por fora".

O cuidado vale até para casos públicos. Comentar um julgamento noticiado é legítimo e rende bom conteúdo; usar o comentário para insinuar "aqui teria sido diferente comigo" já é autopromoção em cima de caso alheio.

Blog parado também comunica

Um blog cujo último artigo é de 2023 sugere ao visitante um escritório que começa coisas e abandona. Constância pesa mais que o impulso inicial: um artigo por semana durante um ano constrói mais autoridade que vinte artigos em janeiro e silêncio até dezembro.

Se o gargalo é tempo — e para quem advoga, é —, a saída é tirar a produção do caminho crítico e ficar só com a supervisão. Os custos de cada formato de produção variam bastante; o que não muda é a responsabilidade final, que segue sendo de quem assina.

Por onde começar: dez pautas em uma tarde

Liste as dez dúvidas que você mais ouviu de clientes em primeira reunião neste ano. Cada uma é um artigo com público garantido: se os seus clientes perguntam, os clientes dos outros estão pesquisando no Google agora.

Publique a primeira ainda esta semana, com o título em forma de pergunta e a resposta direta no primeiro parágrafo. As outras nove ganham data no calendário. Em três meses você terá um blog que informa, posiciona e respeita o provimento — sem prometer nada além do que entrega.

Perguntas frequentes

Advogado pode pagar anúncio para divulgar os artigos do blog?

Pode. O Provimento 205/2021 admite o impulsionamento de conteúdo informativo, desde que a divulgação seja sóbria. O que não pode é o anúncio prometer resultado, criar urgência artificial ou chamar para contratação direta.

O blog precisa identificar o advogado responsável?

Sim. A publicidade na advocacia deve trazer a identificação do profissional ou da sociedade com o número de inscrição na OAB. No blog, isso se resolve com uma página de autoria ou um rodapé bem feito.

Posso comentar casos famosos do noticiário?

Pode, com caráter informativo: usar o caso para explicar conceitos, prazos e direitos é prática aceita e rende artigos com muita busca. Evite prejulgar o caso ou usar o comentário como vitrine pessoal.

Posso publicar depoimentos de clientes no blog?

Evite. A publicidade da advocacia deve ser informativa, e depoimento tem natureza promocional — esbarra na vedação à mercantilização. O caminho seguro é demonstrar conhecimento pelos artigos, não por elogio de terceiros.

Este artigo saiu do mesmo pipeline que publica nos sites dos clientes: pauta, redação, revisão anti-clichê e metadados de SEO — sem mão humana no meio.

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